Nostalgia faz bem? - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

101 leituras ·  4 avaliação média ·  29 avaliações

Nostalgia faz bem? - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

É sábado de manhã. Uma música começa a tocar, dessas que você nem lembrava que existia, e de repente você não está mais na cozinha. Você está em outro lugar, anos atrás, no banco de trás de um carro, na casa de alguém que já não vê faz tempo. O cheiro volta, a voz de quem estava ali volta, tudo chega de uma vez. Por um segundo dói um pouquinho. E aí vem aquele pensamento: por que eu faço isso comigo? Por que fico remoendo o que já passou, em vez de só seguir em frente?

Se essa pergunta é familiar, talvez seja um bom dia pra ouvir o que a ciência tem a dizer. Porque a resposta dela é o contrário do que normalmente a gente pensa sobre o tema.

o que a ciência descobriu sobre a saudade
O dicionário Aurelio define o termo saudade como: um sentimento melancólico ou uma lembrança nostálgica, associada ao afastamento ou à ausência de uma pessoa, de um lugar, de uma coisa, ou pela falta de experiências prazerosas e momentos já vividos

O termo é puramente brasileiro, embora o sentimento seja algo intrínseco ao ser humano, por muito tempo a saudade foi tratada com desconfiança. Já chegaram a chamar de doença, de fraqueza, de coisa de quem não consegue lidar com o presente. Há quase vinte anos, um grupo de pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, resolveu olhar pra isso com calma e medir o que de fato acontece quando uma pessoa sente saudade. O que eles encontraram foi surpreendente e o contrário do que a humanidade previa.

A primeira descoberta é singela e bonita. Lembrar de um momento com saudade não é a mesma coisa que lembrar de um dia qualquer. Quando a pessoa revive uma memória querida, ela sente mais coisa boa, mais calor, mais pertencimento, do que quando recorda um evento comum. E mais: a saudade dá um efeito maior do que só lembrar de algo positivo. Tem alguma coisa nesse jeito específico de olhar pra trás que mexe com a gente de um modo único.

A segunda descoberta é o que esses estudos chamaram de funções da saudade, e são três. A primeira é de ligação: a saudade aumenta a sensação de estar conectado a outras pessoas, de fazer parte. Quase sempre a memória que vem não é de uma conquista solitária, é de gente. Família, amigos, alguém querido. A segunda é de sentido: a saudade reforça a impressão de que a sua vida tem significado, de que ela é feita de coisas que valeram a pena. A terceira é de amparo: ela serve de apoio justamente nos momentos mais difíceis.

por que ela aparece quando você está em baixa

Essa terceira parte é talvez a mais interessante de saber num fim de semana cinza e parado. Os pesquisadores notaram que a saudade não vem em qualquer hora. Ela tende a aparecer com mais força quando a pessoa está se sentindo sozinha, sem chão, meio pra baixo. Ou seja, ela liga sozinha, na hora em que você mais precisa, sem você pedir nada.

Pensa no que isso significa. Aquele puxão em direção ao passado, que você talvez interprete como um defeito seu, pode ser exatamente o oposto. Pode ser a sua mente cuidando de você. Quando o presente fica difícil de carregar, ela vai buscar na memória uma prova de que você já foi amado, de que já teve momentos bons, de que faz parte de alguma coisa maior do que esse dia ruim. É um amparo que vem de dentro.

Tem um estudo recente que ilustra bem isso. Quem se sente mais inseguro perto dos outros, com aquela sensação de não saber se relacionar, costuma recorrer à saudade. E ao reviver memórias de momentos em que esteve bem acompanhado, essa pessoa volta a se sentir mais capaz de se aproximar de alguém. A saudade funcionou como um lembrete de que o vínculo é possível, porque já aconteceu.

o agridoce não é defeito

Aqui está o ponto que mais costuma confundir. Se a saudade faz tão bem, por que ela machuca um pouco? Por que tem sempre esse fundo de tristeza misturado com a coisa boa?

A resposta é que o agridoce não é um erro no sistema. É o sistema funcionando. A pontinha de tristeza é a parte de você dizendo: aquilo importou. Você não sente saudade do que foi indiferente. A saudade é a marca que as coisas boas deixam quando passam, e essa marca dói porque a coisa era valiosa. Ao mesmo tempo, o lado doce está dizendo outra verdade: aquilo é seu. Ninguém tira. O momento passou, mas ele aconteceu, e segue fazendo parte de quem você é.

Visto assim, a tristeza e a ternura não estão brigando dentro de você. Elas estão contando a mesma história de dois jeitos. Por isso a saudade é descrita como agridoce e não como amarga. O amargo seria só perda. O agridoce é perda e posse ao mesmo tempo. Certo que em alguns momentos, podemos sim pender para um lado ou para o outro.

saudade não é o mesmo que viver no passado

Vale separar uma coisa de outra, porque é fácil confundir e se cobrar à toa. Viver no passado é ficar preso, recusar o presente, querer que o relógio ande para trás. Isso de fato pesa. Mas não é disso que a ciência está falando. Entenda que a diferença é bem grande entre uma coisa e outra.

A saudade, do jeito que os estudos descrevem, é uma visita, não uma mudança de endereço. Você vai lá, sente o que tem pra sentir, e volta. E curiosamente volta com algo nas mãos: mais calma, mais conexão, a sensação de que a sua história tem linha. Os pesquisadores observaram inclusive que essa olhada para trás muitas vezes deixa a pessoa mais aberta ao que vem pela frente, mais disposta a se aproximar das pessoas, mais inteira. Olhar para trás, nesse formato, não é o contrário de seguir em frente. Acaba ajudando a seguir.

o que fazer com essa informação

Não tem tarefa aqui, nem fórmula. Mas talvez esse radar ajude reconhecer em qual desses lugares você está hoje.

Se você é do tipo que se culpa por ser saudosista, que acha que sente demais ou lembra demais, a notícia é que esse traço tem uma utilidade real. A sua memória afetiva não é peso morto. Ela é um recurso que você carrega o tempo todo, pronto pra te amparar quando o dia aperta.

Se você está no meio de uma mudança grande, uma casa nova, um trabalho novo, uma fase que ainda não virou chão firme, a saudade que aparece nessas horas costuma ser mal interpretada como arrependimento. Quase nunca é. Em geral é só a sua mente reafirmando o que continua sendo seu enquanto tudo em volta se reorganiza.

E se você anda se sentindo um pouco sozinho, talvez faça diferença saber que a memória das pessoas queridas não é fuga. É contato. Reviver quem te quis bem é uma forma legítima de não se sentir tão sem companhia.

olhar para trás como forma de cuidado

No fim, a descoberta mais gentil de toda essa pesquisa é também muito discreta. A saudade que você sente num sábado de manhã, com uma música tocando, não está te puxando para fora da sua vida. Ela está te lembrando de quem você é, e de quanta coisa boa já coube nessa história. Sentir isso de vez em quando não é se prender ao passado. É um jeito silencioso de cuidar do presente.

Por isso, se lembrar daquele show, daquele abraço ou mesmo de conversar sobre navegar num barquinho pelo mar calmo. Tem o efeito de te mostrar que seguir em frente vale a pena, é pra isso que serve, também, a saudade.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?